Apartamento atemporal tem área social integrada e cozinha linear
A arquiteta Rafaella Manso criou um projeto cujo objetivo era criar espaços de convivência para a família de moradores.
Mais do que conectar espaços, o objetivo da reforma deste apartamento de 145 m² era aproximar pessoas. A arquiteta Rafaella Manso ficou encarregada de repensar o imóvel para abrigar o casal e duas filhas.
O desejo dos moradores era criar um apartamento amplo, confortável e funcional, mas também acolhedor, daquelas em que a rotina acontece de maneira natural e os momentos de convivência encontram espaço para se prolongar.
Logo na entrada, o hall individual ganhou uma função prática e discreta. Sapateira e rack organizam os objetos do cotidiano e fazem do espaço uma espécie de transição entre a chegada e a área social. A solução ajuda a preservar a leveza do apartamento e mantém a circulação principal livre.
No living, a disposição do mobiliário estabelece diferentes núcleos sem comprometer a sensação de continuidade. A sala de estar se relaciona diretamente com a sala de jantar, a lareira e o espaço destinado à televisão, enquanto a varanda, incorporada ao apartamento, amplia as possibilidades de convivência.
A mesa de jantar, acompanhada por um banco, reforça o caráter descontraído da área e permite acomodar mais pessoas. Próxima dali, a estante desenhada para receber a coleção de livros dos moradores cria um pequeno refúgio de leitura. O elemento se prolonga visualmente até um nicho revestido em mármore Calacatta, onde está instalada uma lareira ecológica.
Mais do que um recurso decorativo, a composição cria um ponto de permanência dentro do grande ambiente integrado. A materialidade do mármore, somada à madeira e aos tons neutros do mobiliário, ajuda a construir a atmosfera acolhedora que atravessa o projeto.
Na varanda, o nivelamento do piso eliminou a separação entre os ambientes e fez com que a área externa passasse a participar efetivamente da dinâmica do living.
A churrasqueira se integra ao conjunto, enquanto uma bancada e uma mesa embutida com rodízios permitem adaptar a configuração de acordo com a ocasião.
Quando necessário, a mesa pode ser ampliada para as refeições. Em outros momentos, recolhe-se para liberar a circulação e deixar a área mais aberta. A flexibilidade acompanha, assim, a própria dinâmica do imóvel.
Voltado para a vista da cidade, um segundo estar completa a varanda. Com poltronas posicionadas para a contemplação, o espaço assume uma atmosfera mais silenciosa e cria uma espécie de pausa dentro da área social. É também ali que a relação entre interior e exterior se torna mais evidente.
A cozinha segue o mesmo princípio: soluções precisas, mas sem abrir mão da sensação de acolhimento. O layout linear foi organizado para facilitar o preparo das refeições e concentrar equipamentos e utensílios de maneira prática.
Uma bancada exclusiva para a área molhada se contrapõe à bancada do cooktop, equipada com tempereiro. A marcenaria planejada incorpora ainda uma torre de eletrodomésticos e diferentes soluções de armazenamento, mantendo a organização sem sobrecarregar visualmente o ambiente.
A paleta cromática contribui para costurar todos esses espaços. O cinza aparece de maneira mais sutil, combinado a madeiras, beges e tons terrosos. Em vez de uma composição fria, a escolha cria uma base neutra e quente, que permite ao mobiliário e aos objetos ganhar protagonismo.
Nos espaços íntimos, a proposta ganha um caráter mais duradouro. As suítes das duas meninas foram pensadas para acompanhar diferentes momentos da infância e da adolescência, evitando escolhas excessivamente associadas a uma determinada fase.
Bicamas, armários planejados e estações de estudo integradas ajudam a organizar a rotina e aproveitam cada centímetro disponível. Mais do que atender às necessidades atuais, a configuração foi desenhada para continuar funcionando à medida que as meninas crescem e os usos dos ambientes se transformam.
Na suíte master, a atmosfera é mais reservada. O quarto foi concebido como um espaço de descanso e leitura, com rack para apoio audiovisual e uma bancada dedicada ao hábito de ler. A composição privilegia a tranquilidade e mantém a mesma linguagem de materiais e tons presente no restante do apartamento.
Nos banheiros, o projeto se volta aos pequenos gestos da rotina. Nichos iluminados, espelhos com armários embutidos e toalheiros aquecidos aliam praticidade e conforto, enquanto os materiais escolhidos preservam a atmosfera acolhedora que conduz o apartamento.
O lavabo é o ponto em que essa linguagem ganha uma dose maior de expressão. A pia esculpida transforma o elemento funcional em protagonista e cria um momento de impacto visual, sem romper com a elegância discreta do conjunto.
Em todo o apartamento, a arquitetura parte menos da ideia de criar ambientes isolados e mais da intenção de construir relações entre eles. Materiais, cores, marcenaria e mobiliário trabalham em conjunto para acompanhar a rotina dos moradores, enquanto a integração aproxima os espaços e, sobretudo, as pessoas.





