Para relaxar: Cabanas na Cuesta de Botucatu unem o rústico ao chic
Para projetar as cabanas de 90 m², a arquiteta Juliana Fabrizzi escolheu um sistema metálico aparente, pintado de preto, dentre outras soluções sustentáveis.
Localizado em meio às belezas naturais da Cuesta de Botucatu, este conjunto de cabanas projetado pela arquiteta Juliana Fabrizzi propõe uma arquitetura voltada à experiência do lugar.

Implantado em um terreno rural em Bofete, o projeto foi concebido como um refúgio para quem busca desacelerar e se reconectar com o ambiente natural.
Desde o início, a proposta partiu de um desejo claro dos proprietários: criar um local simples, acolhedor e integrado ao entorno.
“O pedido era um espaço onde as pessoas pudessem relaxar, ouvir o vento, acordar com a luz natural e viver sem pressa”, explica a arquiteta. A solução arquitetônica se estrutura a partir de um sistema metálico aparente, pintado de preto. A escolha permitiu uma obra mais limpa, rápida e eficiente, fator determinante diante do acesso restrito ao terreno.
As cabanas foram elevadas do solo, reduzindo o impacto na topografia original, melhorando a drenagem e garantindo proteção em relação à umidade e à fauna local.
Cada unidade, com cerca de 90 m², foi implantada de forma estratégica, considerando orientação solar, ventos e enquadramento da paisagem.
Grandes aberturas conectam interior e exterior e funcionam como quadros naturais, enquanto a planta organiza os espaços de forma simples e eficiente, com área social integrada, dormitório e dois terraços, um voltado ao convívio e outro mais íntimo.
No campo das estratégias sustentáveis, o projeto privilegia escolhas de baixo impacto, como o uso de materiais locais, a exemplo do eucalipto tratado da Embrapem, além da redução de movimentação de terra.
O fechamento metálico aliado ao lambri de madeira contribui para o conforto térmico e acústico, respondendo às variações climáticas da região.

A materialidade reforça o diálogo entre técnica e natureza. A estrutura metálica contrasta com elementos como madeira, pedra, linho e palha. “O preto cria profundidade e permite que a construção se integre visualmente à paisagem, sem competir com ela”, afirma Juliana.

Internamente, o projeto valoriza materiais com textura e história, além do reaproveitamento de peças garimpadas pelos próprios moradores, como banheiras e cubas antigas, muitas delas posicionadas em áreas externas.
O paisagismo, assinado pela Cuesta Jardins, complementa essa leitura com o uso de espécies como lavandas e capins, reforçando a integração das cabanas ao entorno.
“Aqui, a arquitetura não busca protagonismo. Ela serve como suporte para uma vivência mais conectada com o tempo e com a paisagem”, finaliza.





