Como escolher a melhor árvore para plantar na calçada

Profissionais indicam quais os cuidados para se plantar uma muda em frente a sua casa

Por Ana Beatriz Bartolo 2 jan 2024, 19h00 | Atualizado em 31 jan 2024, 18h45

Ter árvores nas calçadas possui tanto um apelo estético quanto ajuda na minimização da poluição do ar. Além disso, elas também são responsáveis por elevar a permeabilidade do solo e controlar a temperatura e a umidade do ambiente. Sendo assim, cada vez mais políticas públicas são implementadas com o objetivo de promover a arborização nas metrópoles, como jardins verticais e revitalizações de praças.

Ao mesmo tempo, uma forma de aumentar o número de plantas em regiões urbanas é com o plantio de árvores nas calçadas. Além de ajudar o meio ambiente, a fachada da casa fica mais bonita com uma muda bem cuidada. Para isso, é importante destacar que em cada cidade há uma legislação própria sobre o tema. A exemplo de São Paulo, o manual técnico da Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente aponta que a Lei das Calçadas determina que é uma opção do morador ter ou não uma espécie plantada em frente a sua casa, mas para isso é preciso ter pelo menos 1,9 metros de passeio.

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(Reprodução/Pinterest)

Para trazer dicas sobre quais árvores escolher, conversamos com o paisagista Alexandre Furcolin, do interior de São Paulo, e com o mestre em botânica, pela Universidade de São Paulo, Ricardo Cardim. Confira:

1. As mudas mais adaptáveis

O ideal é procurar por árvores que correspondam à formação vegetal da região, defende Cardim. Espécies nativas do bioma crescem com mais facilidade e são mais resistentes às variações climáticas. Segundo Cardim, isso acontece porque elas já possuem adaptações biológicas para viver no local.

2. A questão das fiações

Apesar de algumas cidades já possuírem leis que determinam que os cabos das redes elétrica e telefônica sejam enterrados, isso ainda não é uma realidade em todas as regiões. O paisagista Alexandre Furcolin afirma que onde a fiação é subterrânea, não há problemas em optar por plantas de porte grande, como um ipê. Mas em locais em que isso não acontece, o ideal é optar por árvores de porte médio que não passam dos dez metros quando adultas, como a quaresmeira.

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Além disso, elas são mais resistentes a vendavais e chuvas, então as chances delas caírem e causarem estragos são menores. A sua poda também costuma ser mais fácil, o que deve ser levado em consideração já que essa é uma tarefa de responsabilidade das subprefeituras e nem sempre costuma ser um trabalho rápido.

quaresmeira

3. Optar por flores ou frutos

As árvores frutíferas podem ser uma opção. Ela atrairá mais pássaros e se tornará uma fonte de alimento orgânico em frente a sua casa. Mas, ao mesmo tempo, é preciso tomar cuidado com os frutos grandes, já que eles podem cair e danificar carros ou machucar alguém que estiver passando no momento. Furcolin diz que o ideal seria plantar árvores com frutos silvestres, como a pitangueira, para evitar que as quedas sejam perigosas.

4. Para evitar que a calçada se quebre

Seguindo a legislação da cidade de São Paulo, por exemplo, o mobiliário urbano, como bancos, lixeiras e plantas, precisa estar em um espaço de no mínimo 70 centímetros, sem contar o passeio. Mas Cardim argumenta que “o ideal seria ter 1,5 metros quadrados para que as raízes e o tronco se desenvolvam com qualidade”.

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O solo e a espécie escolhida também são fundamentais para evitar que o calçamento quebre quando não há superfície suficiente. Tanto Cardim quanto Furcolin afirmam que as melhores raízes são as do tipo pivotantes. Ao contrários das superficiais e aéreas, as árvores com essa característica apresentam uma única raiz principal mais profunda que fixa a planta no chão.

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Porém, isso não fará muita diferença se o terreno não for adequado. Segundo Cardim, o solo compactado também é responsável por fazer com que a raiz destrua a calçada. A opção é retirar a terra arenosa e com entulho, e substituí-la por uma rica em material orgânico e vitaminas. Assim, a raiz conseguirá se aprofundar e garantir a estabilidade da árvore sem interferir no passeio.

5. Então, quais espécies escolher?

Conversando com os profissionais, criamos esta galeria com as espécies indicadas por eles para que você escolha a sua preferida.

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