Ateliê de pintura é refúgio criativo acolhedor e cheio de histórias
Assinado pela arquiteta Bianca da Hora, do escritório Da Hora Arquitetura, o ateliê de pintura Papel A Quadro, mistura peças novas com móveis herdados.
Assinado pela arquiteta Bianca da Hora, do escritório Da Hora Arquitetura, o ateliê de pintura Papel A Quadro, de Carlane de Moraes, está localizado no Jardim Botânico, na Zona Sul do Rio de Janeiro, em um espaço que reúne diversos estúdios criativos.
Advogada por formação, Carlane decidiu mudar o rumo da carreira para se dedicar integralmente à arte, especialmente às aquarelas, técnica que combina com delicados bordados, resultando em obras que despertam sensações táteis e evocam memórias afetivas a partir de uma paleta suave e nostálgica.
“O projeto nasce dessa transição, que foi muito mais do que uma mudança profissional — foi uma redescoberta de identidade. Buscamos referências nas raízes da cliente para criar um ambiente de trabalho que refletisse sua essência”, explica a arquiteta.
Além de funcionar como refúgio criativo para a artista, o ateliê também abriga aulas de aquarela e pintura aplicada em porcelana.
A atmosfera do espaço, que conta ainda com um lavabo, remete a um ateliê com cara de “vovozinha repaginada”, acolhedor e cheio de histórias. Móveis de família e objetos garimpados se misturam às obras de arte de Carlane, criando uma decoração com jeito de casa.
Entre as peças reaproveitadas estão os lustres de metal dourado, com desenhos de folhas e flores, herdados da avó, que morava em Recife e os trouxe da Itália, além de móveis antigos em jacarandá vindos de Manaus, como a estante — agora pintada de verde menta com fundo listrado — e a mesa de apoio entalhadas.
Em contraste, os elementos novos foram desenhados para dialogar com esse acervo. Destaque para a estante do piso ao teto, criada pela arquiteta e executada em marcenaria sob medida, em freijó natural, com fundo vazado que deixa à mostra os tijolos da alvenaria — recurso que também aparece na parede que delimita o cantinho do café.
“Os puxadores foram pintados pela própria cliente, reforçando o caráter autoral do espaço”, observa a arquiteta. As cadeiras Carioca, do designer Alexandre Kasper, completam a área da mesa coletiva para dez lugares, usada tanto para a produção artística quanto para as aulas.





